sábado, 24 de março de 2012


VIAGEM À EUROPA 1998 ( 7.5.98 a 9.5.98) - ALPES - 4ª. Parte.
(Elsa Caravana Guelman e Izidoro Soler Guelman, Leila de Fátima Caravana Ávila e Ary Lima Filho).


Passamos, a seguir, por MEGÈVE, ainda arrondissement de Bonneville. Era diferente de Chamonix, um lugar chic e essencialmente mundano. Lembrava, pelas lojas e decorações, o Faubourg Saint-Honoré, de Paris, em miniatura. Altas personalidades da moda e da vida social faziam dela sua estação de inverno preferida pelo luxo e o refinamento de suas boutiques. Conta-se que a baronesa de Rotschild, ali apareceu em 1917. A estação de inverno começa em dezembro e vai até abril; a estação de verão começa em 28 de junho e vai até 15 de setembro. A cidade se preparava para receber os visitantes do verão que se aproximava.
Fotografamos, filmamos e demos um passeio a pé pela cidade. Há construções muito bonitas, em estlo alpino. A cidade cheirava dinheiro e exibição. Felizmente a vimos fora das principais estações, caso contrário acho que nem poderíamos caminhar para melhor conhecê-la.
A nossa passagem por FLUMET (ainda Bonneville) foi rápida. No início da viagem, a gente pretendia pernoitar em Flumet, mas pela estrada que passamos, nada nos chamou a atenção, a não ser que era sóbria. Nenhuma agitação ou movimento. É bem verdade que estávamos fora das estações. Podemos dizer que foi apenas uma passagem. Sua altitude é de 1.000m. Tem como cenário a cadeia de montanha do Mont Blanc. ` Pela tardinha, chegamos ao Col des Saisies , em Albertville, arrondissent e capital do Departamento de SAVOIE. Fica propriamente na região conhecida como BEAUFORTIN. Paramos para apreciar a imensidão do gelo que estava a nossa frente. Fica num planalto, tendo à frente o Mont Blanc. É conhecido como estação de “ski nordique”. Os jogos de inverno de 1992(XVIème) consagraram-no internacionalmente estação olímpica com a totalidade das provas de “ski de fond” e “biathlon”. Tem 90 km de pistas, numja altitude de 1600 m, tendo como altura máxima de remonte 1950m. Em Albertville existe um museu sobre os jogos olímpicos de 1992. ( La Maison des Jeux Olympiques, rue Pargoud). O Col des Saisies apresenta um panorama privilegiado. Não enveredamos pelos arredores. Ficamos apenas no planalto admirando o primeiro Col da nossa viagem aos alpes.
Ainda não era noite quando chegamos a BEAUFORT-SUR-DORON, arrondissement de ALBERTVILLE, do Departamento de SAVOIE. Passamos uma noite na Hôtellerie du Doron. Este simpático hotel ficava na Praça da Igreja no centro da cidade. Uma das principais atividades da região é leiteira , onde é conhecido o queijo Beaufort, o “Prince des Gruyeres. O departamento de Turismo informa sempre as animações da semana e os passeios à montanha para conhecer a fauna, a flora e os campos com seus fenos e as famosas vacas “Tarines” e “Abondances”.
Não jantamos no hotel. Preferimos um restaurante na rua principal de Beaufort. Não tinha o charme de Chamonix, não tinha a elegância de Megève, nem tinha a solidão de Flumet. Era, sem dúvida, uma típica cidade interiorana, ainda que bem desenvolvida, mas com finalidade agrária. Apesar de sua tranquilidade bucólica estava sempre ativa, pois a estrada dos Alpes cortava-a ao meio, os carros passavam por ela, constantemente. Achei-a muito aconchegante, como se a conhecesse de longa data. Havia, numa mistura, construções mais novas e construções antigas.Um comércio bem animado numa rua de descida. Comprei um livro sobre a região da Savoie numa livraria local. Engraçado, aquele livro parecia estar ali na prateleira a minha espera. Deu uma boa noção sobre Beaufort e suas “alpages”com seus métodos ancestrais da fabricação do queijo Beaufort com leite cru. (Anos depois,em 2006, eu iria notar esse procedimento no Brasil, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, com o famoso queijo Canastra.) Hoje em dia, quando eu penso numa região sempre me lembro da outra. As duas regiões ficaram associadas, fundidas na minha cabeça. Assim também o queijo. Ambos conservam um sabor especial em razão desse método artesanal. .
Da nossa janela, no hotel, apreciávamos uma construção militar, da época de Napoleão. Que fôlego que tinha esse homem, pois em todo lugar havia referência a ele!. Um passeio pelas ladeiras de Beaufort, pela ponte sobre o rio que dá nome ao local e, finalmente, na praça principal. No restaurante, comemos um fondue savoyarde, isto é, típico da região.
8.5.98: A saída de Beaufort-sur-Doron foi na manhã do dia seguinte.
Por informação do setor de turismo de Beaufort, ficamos sabendo, consternados, que tinhamos de mudar nosso roteiro pela estrada dos Alpes. Era a primeira dificuldade que surgia. A estrada para Bourg. St. Maurice estava fechada pela neve. Não poderíamos seguir viagem nessa direção. Náo era só arriscado, era impossível. Assim deixamos de conhecer o verdadeiro miolo dos alpes franceses: Tarentaise, que ostenta os três mais belos vales franceses, com capelas e povoados diversos ( Val d’Isère, um paraíso do gelo: Col de I’Iseran, com 3354 mts; Parc National de la Vanoise).Igualmente deixamos de ver toda a região da MAURIENNE, arrondissement do Departamento de SAVOIE, de Bonneval sur l’Arc até o Col de Galibier, com 3228 mts.
Como levamos o mapa da Route des Grandes Alpes, que era completo com relação à região alpina, organizamos, pelo imprevisto, um novo roteiro. em direção aos “prèAlpes”. Nosso destino, então, seria ALBERTVILLE, arrondissement do Departamento da Savóia, e a cidadela medieval CONFLANS.
De Beaufort rumamos para Albertville, ainda cedo. Em virtude do feriado francês, a cidade parecia adormecida. Albertville, por ficar na comba ( vale que se vai alcantilando entre montanhas) da Savóia e comandar as entradas do Val d’Arly, do Beaufortain e da Tarentaise, se constitue numa importante veia de estradas turísticas. Tanto assim é, que, da estrada dos Alpes Franceses, em pouco tempo, atingimos a cidade de Albertville. A via romana ligava já os Alpes a Albertiville.Os comerciantes do passado, em lombo de burro, vinham em direção a Conflans, mantendo-a em contacto com as populações que transitavam pelo Col do Petitt Saint-Bernard, por exemplo.
Logo percebemos, pelo mapa, na escolha do novo roteiro, que sua situação geográfica era privilegiada. E foi, por esse motivo, que, em fevereiro de 1992, ela foi escolhida para acolher as cerimônias de abertura e encerramento dos 16o. Jogos de Inverno. Um fato único nos Alpes, que lhe granjeou forte renome internaccional.
Devido ao feriado, deixamos a cidade e fomos conhecer a cidadela de Conflans, totalmente restaurada. Admiramos toda a arquitetura medieval com suas ruas e ladeiras estreitas, que desembocavam numa Grande Place, charmosa e florida. Além da Grande Place subimos ao Terraço com vista para o soberbo vale da Savóia.
A seguir, fugindo da rota dos Alpes, o roteiro é desviado para Grenoble, que é, sem dúvida, a capital intelectual, econômica e turística dos Alpes Franceses. É capital e arrondissement de Isère (38), que pertence ao Departamento de Grandes Alpes do Norte. Vê-se logo que se trata de uma grande aglomeração urbana através de várias cadeias de montanhas. Apesar do feriado, a cidade parecia estar em festa. Muitas lojas abertas e notamos muita animação nas praças, ruas e largas avenidas.
O rio Isère divide as duas margens da cidade. Nós o contornamos para tirar retratos e filmar . Encontramos ruas interessantes, de pedestres e um comércio requintado. A aglomeração é frequente na Place Grenette e na rua Félix-Poulat. Existem ainda os boulevards Foch e Joffre. Dauphiné é o nome da dinastia que governou a região a partir do século XI.
Há museus e diversos monumentos a serem visitados. Mas, como nosso tempo era pouco, adiamos o projeto. Vendo-a desaparecer no horizonte, pensa-se logo: o que se aprecia em Grenoble é que ela tem o porte e a fisionomia de uma cidade grande, mas não é uma problemática cidade, tendo como fundo, bem distante, as montanhas que, de azul-verde, se tingem, bem no alto, de branco pela neve que as encobre.
Recebemos novas informações sobre a estrada dos Alpes e os cols seguintes. Resolvemos, então, retornar à estrada via Briançon.
De Grenoble, pela route 91, viajamos contornando o Parque Nacional des Écrins. Estávamos na região de Oisans, formada pelos vales da Romanche e do Vénéon, pertencentes ao arrondissement de Grenoble. Nossa intenção era logo atingir o Col do Lautaret. Após Bourg-d’Oisans em direção ao col, uma indicação nos levou à estrada para Deux Alpes, bem no coração da região de Oisans, compreendendo duas estações de ski (Alpe de Mont-de-Lans e Alpe de Venosc).
Quando chegamos a Deux Alpes ficamos surpresos com o que encontramos, pois a subida na estradinha não indicava que, lá no alto da montanha, nos aguardava um verdadeiro requinte. Em toda a extensão havia uma infinidade de prédios de apartamentos e comerciais num colorido estilo alpino. Deux Alpes oferecia muitas atividades além do sky, que predomina em todas as estações. Tiramos algumas fotografias e houve filmagens. Realmente, a verdade era essa: não se podia imaginar, sequer, a existência de um local tão interessante e deslumbrante , cercado de árida vegetação, castigada ainda pela neve do inverno.
Voltamos à estrada 91, continuando a percorrer a Romanche no Parque Nacional de ÉcRins. O parque foi criado em 1973. O P.N. de Écrins é o mais vasto parque nacional, com uma superfície de 92.000 ha, sendo l/3 em Isère, no Departamento da Savóia e 2/3 em Briançon, no Departamento de Hautes-Alpes, agora na Região dos Alpes do Sul. É conhecido como parque de alta montanha, contando com numerosos picos.
Foto:francini-mycologie.fr

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